Sonia Ambrósio de Nelson, relações públicas e jornalista formada pela Universidade Católica de Santos, e atual correspondente da BBC World Service - Seção Brasil, em visita ao país, palestrou para alunos dos cursos de Comunicação Social da sua faculdade de formação. O evento aconteceu no dia 22 de setembro, às 10h, no Auditório C do Campus Pompéia – Unisantos, e faz parte do Fórum Permanente de Diálogo, Fé e Cultura promovido pela Pastoral Universitária.
A egressa convidada dividiu sua apresentação em dois períodos, dedicando o primeiro momento exclusivamente aos futuros jornalistas e relações públicas. Por essa característica da palestra, o evento também ficou caracterizado como uma Edição Especial do “RP: Onde Está Você?”.
Sonia descreveu seu trajeto profissional de repórter de revista feminina a relações públicas de organizações asiáticas, mostrando que seus títulos de PhD em Sociologia e mestre em Estudos Asiáticos, pela Universidade Nacional de Cingapura, lhe permitiram o conhecimento real dos interesses e conflitos político-sociais da região, facilitando seu trabalho.
Sua experiência mostrou que o curso universitário lhe dá apenas a base para ingressar na profissão, e que o diferencial está no perfil do profissional que se especializa e amplia sua rede de conhecimento. Frisou também a importância da criação de uma rede de relacionamentos para o comunicador.
Durante a palestra, o público se surpreendeu com a oportunidade de prestigiar uma entrevista telefônica ao vivo na Rádio da BBC. Sonia Ambrósio respondeu questões sobre “Mídia e Terrorismo”, que era o tema central para o segundo momento do encontro.
Após descrever o mercado de trabalho que enfrentou até chegar ao seu cargo atual, a palestrante foi mais específica ao explicar a questão da abordagem da imprensa asiática (principalmente jornais impressos) sobre o terrorismo – Palestra Mídia e Terrorismo.
Ela relatou a respeito do seu framework para estudar os 4 atentados (Bali 2002, JW Marriot Hotel, Embaixada Australiana 2004 e Bali 2005) que, paralelamente ao “Onze de setembro”, desencadearam uma seqüência de conflitos que ainda hoje interferem na vida de milhares de pessoas. Para citar esses acontecimentos a egressa utilizou o termo “eventos” e, após ser questionada a respeito, explica que a cobertura jornalística está trazendo valores sociais para si - Construcionismo. Sendo assim, o Onze de setembro seguiu a linha de “jornalismo de espetáculo”, tendo em vista o frenesi que causou na imprensa, podendo ser classificado dessa forma.
Como profissional da área, Sonia utilizou sua liberdade para declarar que, a própria mídia cria para seu público uma cadeia de raciocínios e propõe analogias que impõem rótulos suspeitos como, por exemplo, a idéia de que “(...) Islamismo radical gera terrorismo”. Fora isso, ela contou sobre o controle de líderes políticos sobre os principais jornais da área compreendida como o New Strait Times e Strait Times.
“A mensagem geral dos jornais: não desafie o governo nem crie distúrbios sociais... Não interrompa a ordem social, não interrompa o desenvolvimento econômico”. – Trecho retirado da palestra.
Ainda no âmbito jornalístico, a palestrante usou o termo “saturação de informações” para se referir aos canais que se dedicam a 24 horas de jornalismo.
Ao final, Sonia Ambrósio caracterizou o Terrorismo como uma questão global, contou sobre seus planos acadêmicos para o futuro e indicou aos futuros RPs que se interessem em aprender alguns idiomas asiáticos, pois existem muitas organizações precisando e contratando profissionais com essas características.
Amanda Denti
